sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Shhhh...

Admiti hoje um pouco de silêncio em mim,
na luz rastejante do fim de tarde que se deita nos prédios tristes da cidade.

Silêncio dúbio, do clarão das vidraças a chuva que promete sem chegar,
silêncio solitário da revoada de ‘sei lá’ que aves…

mas principalmente a falta de barulho de mim, 
ausência de ruído que me é importante.

Admiti a esse silêncio entrar como se fosse um raio da manhã, 
algo que me ilumine, de cedo, pra sempre.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Temporal

"Eu não sei bem como você imagina Deus,
o criador de tudo isso...
eu o imagino como um grande artista
que escolheu os dois tons de azul mais lindos pra pintar o céu e o mar,
a textura hora áspera hora suave dessa areia que eu piso
e as vezes revida chicoteando minhas pernas nas caminhadas matinais...

Um exigente compositor na afinação das aves que cantam
e dão rasantes nesse mar tão calmo.
Tão calmo que contrasta com o vermelho raivoso que as vezes rasga esse céu azul nos fins de tarde e com os raios que rabiscam essa madrugada anunciando um temporal."






breve texto sobre Jericoacoara

sexta-feira, 19 de março de 2010

Ato

É de direito que se ouça... que se pense e se cale, mas fale!
que se tenha, que se imite e se ouse ou se limite, mas seja...
e se envolva, que fraqueje ou se envergue, mas viva!

Viva sendo são, sendo vão, sendo sim ou sendo não, mas viva!
se dedique, crucifique, abra mão ou porque não? -critique!

Fale alto, fale tudo, se envaideça ou se divida, mas viva..
entristeça ou se alegre, faça dívida ou seja dúvida, mas seja!
Duvide, direcione, obedeça ou se engane, mas ame!

Ame pouco, ou grite e fique rouco, mas grite!
enrouqueça, ame pouco, ou enloqueça, mas duvide...
ou ame, ou grite, ou seja, crucifique, duvide, ou critique...
fraqueje, se envolva, ouse, se limite..., mas ame!

tanto faz!

sexta-feira, 11 de julho de 2008

A Forma

Pela pressa, pelo jeito,
a descrença e a falta de jeito.

Pelo silêncio que incomoda,
e o grito quase quase mudo.

Vizinho do acaso nosso destino se teimava,
distante da calma, nosso carinho sublimava,
ali, se ia o amor,
ali, seria o Amor...

ali partia do porto o amor,
que fica à deriva e levanta vôo,
que se aquieta,
que toma outra forma e tenta renascer...

Disfarça-se todas as manhãs em novos ninhos,
em novas cascas, canta diferente, brilha diferente,
mas é velho,
é vencido,
mesmo sem deixar vencer-se,
adoece-se e adoece-me,
corrompe-me, mas eu gosto...

Um Troço assim que chamamos amor,
ele me cativa, e d'Ele cuido muito bem.

Não quero trocas, nem valores de volta,
os meus já se foram por poucos trocados,
eu já fui trocado. (e isso faz parte do amor?)

Cuidemo-nos uns dos outros, isso me parece mais com amor,
do que de fato amar, da forma que é o amor.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Tudo

Nada,
nem mesmos os medos,
as vontades, os menores e maiores segredos.

Nada,
todos os sorrisos,
toda minha infância, juventude,
Um pouco de toda minha vida.

As bobagens, coisas sérias,
as vertigens, as frescuras...

[não como verdura, bombons de canela,
odeio atrasos, mas sempre me atraso...]

Enfim...
até as mentiras eu já te contei...

Nada te deixei sem saber,
mais que o meu pensamento,
é o meu testamento.